Post 571 – Perguntem ao Tio Chico nº 173 – PARTE I – A TEORIA versus a PRATICA e a REALIDADE na fabricação do “fila-preto”… – A agradável troca de email com um admirador de cães de coloração negra… – Data: 15/08/18

Perguntem ao Tio Chico nº 173

PARTE I

A TEORIA versus a PRATICA e a REALIDADE na fabricação do “fila-preto”…

A agradável troca de email com um admirador de cães de coloração negra…

 

Queridos amigos e amigas, continuando com nossas conversas, segue abaixo email recebido de um admirador de cães na coloração negra, assim como meus comentários:

  1. Tio Chico, eu gosto de cães de colocarão negra, mas não gostaria de entrar no mérito quanto à “pureza” do Fila na cor preta. Porém gostaria de expor meus conhecimentos quanto a cruzamentos e genética. Na genética um indivíduo é considerado pertencente a uma raça quando atinge em cruzamentos a proporção de 1/32. O que isso quer dizer? Quando se tem um individuo Sem Raça Definida inserido dentro de cruzamentos, seus descendentes serão considerados puros nessa raça quando atingirem por cruzamentos a proporção de 1 SRD (Sem Raça Definida) para cada 32 Filas inseridos nessa genética.  Suponhamos que essa mestiçagem tenha ocorrido na década de 70 como foi dito, neste caso um “fila preto” que tenha nascido em 1970 teria 50% de sangue de Fila Puro. Logo, seus filhos teriam 75%, seus netos 87,5% seus bisnetos 93,75%… Assim ao atingirem 1/32 este cão receberia a denominação de P.S (puro sintético). Para fins genéticos ele é tão Fila quanto um que nunca tenha tido mestiçagem. Hoje estamos em 2018 mais de 40 anos após as mestiçagens, isso quer dizer que um “fila preto” nascido hoje estaria bem além da proporção de 1/32, ou seja, seriam Filas Brasileiros puros. Acho que seria excesso de zelo dizer o contrario. O que voce poderia me comentar sobre isto ?

Resposta do Tio Chico:

Obrigado pelos seus comentários.

É sempre muito bom receber opiniões bem escritas, com bom senso e lógica.

Infelizmente, na grande maioria das mensagens que recebo, tenho muita dificuldade de entender o que foi escrito.

Os posts que me enviam copiados de Facebooks (não tenho Face) conseguem ser ainda muito piores.

Bem, se voce mais tarde desejar entrar no mérito da origem do fila-preto na PRÁTICA, permita-me sugerir umas leituras clicando em http://www.filabrasileirochicopeltier.com.br/7.html  e em especial em http://www.filabrasileirochicopeltier.com.br/fila-brasileiro-3.html. Neste último artigo analiso e contra argumento ponto por ponto a teoria fake desenvolvida por Procópio do Vale, também conhecido como o Pai do Fila Preto, por ter inventado e fabricado em seu canil esta cor em meados da década de 70.

Entretanto, quanto a TEORIA a qual voce se refere, menciono que são bem conhecidas. Principalmente a do PC, Puro por Cruza.

Infelizmente no FB esta e outras TEORIAS não se efetivaram na PRÁTICA.

E as razões foram, entre outras  muitas:

– falta de autorização do então BKC e até do Ministério da Agricultura (MA) que até o final da década de 70 controlava o BKC e, a partir de 1979, o CBKC, assim como toda a cinofilia brasileira. Lembrando que em 1980 o MA reconheceu e oficializou o CAFIB (vide em http://www.filabrasileirochicopeltier.com.br/13.html );

– criação de um padrão racial para o pretendido “fila-preto”;

– criação de um Livro de Registro próprio para controlar os filhotes resultado destas experiências;

– lembrando que, ao contrario, o registro destes filhotes mestiços eram efetuados criminosamente (falsidade ideológica) nestes dois clubes e no FCI como se FBs Puros fossem;

– concordância de pelo menos um grupo representativo de criadores da época que estivessem de acordo com a experiência que pretendia chegar “fila-preto”, participando e

até bancando financeiramente seus custos;

– falta de conhecimento histórico, técnico e cientifico dos mestiçadores;

– não contarem com o aconselhamento e supervisão de veterinários e de uma Universidade com professores e cientistas aptos (*);

– incapacidade financeira para manter os cachorros negros fruto desta excelência até a idade próxima aos 2 anos para então serem selecionado, sendo que aqueles que se

encontrassem dentro do padrão desejado seriam aprovados e considerados aptos para continuar nesta experiência e que os reprovados fossem descartados;

– experiência feita às escondidas via a criminosa falsificação de pedigree;

– experiência feita sem controle e com a participação de outras raças;

– sem controle não existe experiência válida e muito menos sua comprovação;

– interesse de Procópio do Vale em ganhar fama e reconhecimento, como se tivesse resgatado uma cor rara;

– interesse dos mestiçadores em se ganhar dinheiro rápido e fácil vendendo filhotes pretos, que na época eram comercializados como “raridades”, bem como a vontade do

BKC-CBKC-FCI aumentar seu faturamento via registro de cães mestiços (de todas as cores);

– etc, etc, etc…

Por isto, no caso específico, PRÁTICO e REAL do “fila-preto”, eu apelidei anos atrás TEORIAS semelhantes a esta como mencionado acima por voce, mas inalcançadas na PRÁTICA do “filas-pretos” de INPURO por Cruza

(*) se voce se interessar em conhecer como se resgata um tipo animal perdido, respeitando as teorias e teses corretamente empregadas de forma técnica e honesta, sugiro que leia como criadores sérios americanos, com a ajuda da Universidade de Cornell, recriaram o Old  English Bulldog, muito semelhante ao antigo… Tomei conhecimento desta RAÇA homogênea e honestamente fixada, sem falsificação de pedigrees, quando da primeira Expo do CAFIB nos USA em 1993.

Para voce visualizar o pensamento que acima defendo, seguem fotos de 42 cabeças (a parte do corpo animal que mais define uma raça) de “filas-pretos”, recentemente recebidas de amigos criadores, que foram há pouco tempo atrás  retiradas de Facebooks, principalmente do Seleção com Responsabilidade e de site de canis de criadores e admiradores do “fila-preto”. Ou seja, de criadores do CBKC-FCI.

Como voce pode ver acima, tratam-se de cabeças de cachorros heterogêneos, totalmente sem tipo definido.  E que continuam depois de mais de 40 anos SEM RAÇA DEFINIDA !!! Isto é são VIRA-LATAS… E, como todos sabem, mas a turma do CBKC-FCI finge não saber, sem tipo fixado não existe raça. O mundo inteiro sabe o que é um Boxer, Dálmata e um Collie, mas ninguém sabe ao certo o que é e com o que se parece o tal de “fila-preto”.

Assim pergunto se a TEORIA que voce bem redigiu na sua pergunta acima pode ser aplicada na PRÁTICA ao “fila-preto” ?

Entretanto, se voce discordar de mim, achar que as cabeças acima são homogêneas e formam na PRATICA uma Raça, ok. Sem problemas.

Siga em frente acreditando que as TEORIAS de pureza racial se aplicam na PRATICA no “fila-preto” ou, se desejar, me enviei sua contra argumentação.

Mais uma vez grato por seu email, foi bacana conversar com voce.

CONCLUSÃO:

É MUITO BOM CONVERSAR COM PESSOAS QUE TEM CONHECIMENTO, ESCREVEM CORRETAMENTE, EXPLICAM SEUS PONTOS DE VISTA E CONTRA ARGUMENTAM COM CLAREZA E DE FORMA EDUCADA. INDEPENDENTEMENTE DO FATO DE CONCORDAREM OU NÃO COMIGO. INFELIZMENTE OS FILEIROS QUE ASSIM PROCEDEM SÃO UMA MINORIA. COMO JÁ ESCREVI MUITAS VEZES,  EU ENTENDO A RAÇA FILA BRASILEIRO ACIMA DE CLUBES E COMO UMA RAÇA ÚNICA, BUSCANDO SEMPRE O SEU RECONHECIMENTO COMO RAÇA PURA RESPEITADA MUNDIALMENTE. A TOLA TENTATIVA DE COMPROVAR A EXISTÊNCIA DO “fila-preto” E A TERRÍVEL REDAÇÃO DO POST ABAIXO DEMONSTRA O QUE AQUI AFIRMO:

Nota: em breve encaminharei a Parte II desde artigo.

Forte abraço,

Chico Peltier .

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