Post 543 – Tio Chico Informa nº 209 – Os bastidores do livro do jornalista Paulo Godinho sobre o FB… – E o Dr. Paulo Santos Cruz… Data: 19/02/18

Tio Chico Informa nº 209

Os bastidores do livro do jornalista Paulo Godinho sobre o FB…

E o Dr. Paulo Santos Cruz…

Amigos e amigas do Fila Brasileiro (FB) e do CAFIB,

Após a divulgação do meu último artigo Perguntem ao Tio Chico nº 166  em 7/02/18 ( vide em https://filabrasileirochicopeltierblog.wordpress.com/2018/02/07/post-541-perguntem-ao-tio-chico-no-166-obrigacoes-do-cbkc-e-da-fci-enquanto-clubes-cartorios-de-registros-de-caes-a-importancia-do-pedigree-para-que-serve-e-como-se-ler-um-ped/ ) que tratou entre outros assuntos da mestiçagem existente na raça Fila Brasileiro registrada no CBKC-FCI, comprovada por meio de declarações de três importantes personagens ligados a História da Raça Fila Brasileiro, Henrique Lucena, ex-presi do BKC e da CBKC, de Christofer Habig, ex-vide-presi da FCI e do jornalista Paulo Godinho, sem duvidas o maior cinófilo brasileiro; conversei com o Paulo Godinho e ele me enviou um email confidencial narrando fatos que envolveram a confecção e os bastidores do seu excelente livro “Fila Brasileiro: um Presente das Estrelas”:

Como estas revelações traziam informações tão interessantes para os fileiros que gostam de ler e estudar, tentei convencer o Paulo Godinho que me autorizasse a divulgar estes bastidores. Felizmente consegui e ele me enviou a seguinte mensagem: “Chico, mudei de ideia.  Li e fiz uma revisão completa deste texto, e cheguei à conclusão que sua publicação é, antes de tudo, um “MUITO OBRIGADO” às pessoas que me ajudaram. Pode publicá-lo onde e  quando você desejar. Abraços, Paulo Godinho

Aproveitando adiciono aqui a resenha que fiz deste magnífico livro que todo fileiro tem a obrigação de ler: https://filabrasileirochicopeltierblog.wordpress.com/2013/12/15/post-no-145-tio-chico-informa-no-55-paulo-godinho-obrigado-pelo-seu-atestado-de-veracidade-balanco-geral-do-livro-fb-um-presente-das-estrelas/

Segue abaixo para voces o email do Paulo Godinho para mim:

Abreaspas

Chico,

As dificuldades que eu enfrentei para realizar o projeto (do livro)  “Fila Brasileiro, Um Presente das Estrelas” realmente fazem desse empreendimento, alguma coisa realmente grande e posso mesmo dizer, que, se um dia olhado e melhorado em alguns aspectos, tornar-se-á um trabalho definitivo.

Tudo começou num domingo de 1994, quando uma amiga da Yeda (esposa do Godinho), também funcionária de FURNAS, me telefonou e me pediu nomes de livros sobre a raça Fila Brasileiro, que a ela pedira um outro colega, que trabalhava em Angola, a serviço de Furnas, que desejava comprar no Brasil alguns cães para levar para a África, e queria  ler alguma coisa a respeito. É óbvio que eu não indiquei nenhum  ivro, e, mesmo que o fizesse, no mercado, não houve, até aquela época, uma literatura confiável.

O Paulo Santos Cruz  e a Antonieta havia morrido em 1990, e o fato dele não ter publicado nada de seu em forma de livro sobre a raça que o tornara conhecido mundialmente, sempre me deixou com um grande vazio. Parei, pensei muito, e, possivelmente menos de um mês depois do telefonema da funcionária de Furnas, resolvi escrever uma biografia do Paulo e da Antonieta, começando por ler tudo o que ele Paulo me escrevera e aquilo que eu escrevera a respeito dele, desde o seu retorno na década de 70.

Iniciei uma série de contatos com pessoas que lidaram direta ou indiretamente com o casal Santos Cruz, e aí iniciei de fato o trabalho. Mandei questionários com perguntas aos mais destacados dirigentes do CAFIB, e, de nenhum deles recebi resposta (o Tio Chico não os recebeu). Estranhei, mas continuei à procura de respostas. Em Santos(SP), o Marcello Motta, meu velho amigo, o homem que levara o Paulo para a cinofilia oficial, por ter se indisposto com ele em vida, recusava-se  em me dar qualquer depoimento, o que anos depois acabei conseguindo. Busquei outras pessoas em Santos, o Dr. Vicente Costa, a Eneida Werneck, a Dra. Thaméa Fernandes, e o casal Olmo. Fui até aquela cidade para entrevistar o Dr. Vicente e a Dra. Thaméa, e ainda fiz uma entrevista com uma senhora que fora proprietária do Fila Ch. Zambê de Parnapuan, um cão que fizera parte do Guia Turístico de Santos(SP), por ser um ganhador de shows no Estado de São Paulo, e ter uma história demais comovente (vide capítulo Filas Antológicos).  Encontrei o Dr. Vicente doente e bem ruim de saúde, mas, da casa dele, trouxe uma foto da colação de grau do Primeiro Curso para Juizes  de Cães que se fez no Brasil, idealizado e realizado pelo PSC;  foto que se acha no meu livro.  Foram cinco os aprovados: o Dr. Vicente, a Antonieta, a Philomena Ballo, a Inês Ballo e a Dra. Thaméa Fernandes. Dr. Vicente não se lembrava de quase nada. Na última hora, a Dra. Thaméa teve que ir atender um paciente no hospital, e furou com a minha entrevista. Por sorte, a esposa do Dr. Vicente me indicou a senhora que fora dona do Zambê, e depois de entrevista-la, retornei ao RJ, sem poder falar com o casal Olmo, que eu não sei o por que, não estava em Santos naquele dia.

Foto nº 1: O livro… Para adquiri-lo livro basta clicar em  HTTP://blogdopaulogodinho.blogspot.com ou pelo email paulogodinho@ique.com.br
Foto nº 2: magistral registro na coluna do jornalista Paulo Godinho no Jornal do Brasil sobre a volta do Dr. Paulo à Cinofilia brasileira em Junho de 1976…
Foto nº 3: Paulo Godinho, maior cinófilo brasileiro, e o Tio Chico, ambos tendo em mãos a ultima versão deste histórico livro…

Cartas e cartas, telefonemas e telefonemas, muita gente falando, e, o depoimento de um, às vezes punha em dúvida o depoimento de outros. De Jundiaí(SP), o meu grande amigo e colecionador cinófilo Sérgio Gebram me emprestava a sua coleção de colunas do PSC, de A Tribuna, jornal de Santos, onde o Paulo escrevera semanalmente, por seis anos. Essa coleção esteve aqui no Rio comigo por mais de um ano, e foi mais do que decisiva, para que eu chegasse a conclusões de fatos e depoimentos anteriores e até posteriores. Ali eu encontrei o sonho do Paulo em idealizar uma raça genuinamente santista, o Guaió; as histórias dos passarinhos dele,  e um noticiário vasto, tudo  do próprio punho do personagem, no eixo  Santos, São Paulo e Campinas.  Grande ajuda me deram algumas amigas da Antonieta; ela tinha muitas, mas o Paulo não tinha amigos, e até mesmo sua família, se resumia num único irmão, com quem ele não se dava, e duas sobrinhas, uma residente na Holanda  e outra em SP, filhas desse irmão; essa última, May Ruth, me atendeu com muita paciência e carinho, depoimentos preciosos e verdadeiros.

Achei em Niterói um irmão da Antonieta que me recebeu muito bem e me deu  ótimos depoimentos, encaminhando-me para outros familiares, que, da mesma forma colaboraram muito comigo. Da parte do Paulo, nada. E aí eu me vi num beco sem saída: como escrever uma biografia de um personagem, sem família e sem amigos? Não tive outra saída, fiz do Fila Brasileiro o personagem do livro, e o seu patrono, mais um dos figurantes da história.

O título  do livro, você falou bem ( = mencionado pelo Tio Chico no artigo Perguntem ao Tio Chico nº 166 ), foi de fato um tributo ao início da vida cachorreira do PSC, aquele episódio real, em que um balão, em fim de trajetória, escolhia o jardim da casa de um advogado santista, e assim começa a história de uma raça (FB), que ganhara como padrinho um vira-latas chamado “TOY” ( TOY, O Vira-Latas que Mudou o Destino da Raça Fila Brasileiro), que, pela boa vontade da May Ruth, recebi uma foto no colo da Antonieta em 1948. Foto no livro.

Não vou entrar nos desagradáveis acontecimentos  que envolveram a Leo Christiano Editora e a CBKC; o Sérgio Castro  foi extremamente tolerante com as falhas daquele editor,  acabando por eu tirar de lá a edição do livro, e fazê-lo surgir pela IQUE EDITORA.

O Prefácio do Zé Souto (= o cafibeano e renomado Tributarista Jose Souto Maior Borges, autor de “Mestiços Pretos de FB: um Ferro de Madeira”. Vide em  http://www.filabrasileirochicopeltier.com.br/7-Cao-Preto-x-Fila-Puro/30_7/materia.html ) foi algo que me encheu de orgulho. Inicialmente, eu o convidara para escrever a abertura do livro, e lhe mandei alguma coisa que eu já imaginava estivesse pronta e definitiva,  ele montou um prefácio de duas folhas. Mas, no correr dos 17 anos em que eu trabalhei o livro, escrevi e re-escrevi muita coisa, e nessas quase duas décadas, mandei muita coisa re-escrita para o Zé; ele me pediu para devolver a ele o primeiro prefácio de duas folhas, e  o re-escreveu a seu modo, me mandando outro, com quatro folhas. As pessoas que sabem quanto custa um parecer do Zé Souto, um dos maiores Advogados Tributaristas do Brasil, que cobrava fortunas por umas poucas linhas do seu talento, pasmam, quando eu conto, que ele fez para mim quatro páginas inteiramente de graça, o que me faz ler sempre aquele prefácio, para acreditar que eu mereci mesmo aquelas palavras, de um personagem daquele peso.

O  capítulo Filas Antológicos  foi montado em mais de 10 anos.  Depoimentos e fotos que recebi de pessoas ou familiares deles, como a atriz Eliane Lage,  a May Ruth Santos Cruz, sobrinha do Paulo,  o  Aluisio  Gomes de Oliveira, filho do Zé Gomes de Oliveira, de Varginha,  a Inés Van Damme,  um gênio na pesquisa, uma amiga que sempre me ajudou com suas descobertas; o Sérgio Gebram, um colecionador fantástico, um amigo precioso que sempre me ajudou em pesquisas e opiniões; a dupla Marilia Pentagna e Joaquim Liberato “Quinzinho” Barroso,  amigos de mais de 30 anos, pelo farto material fotográfico que me deram; o Sergio Castro, que bancou o livro sem sequer ter lido uma única linha,  foram pessoas às quais tenho muito a agradecer. Sem eles, e outros que agora  a memória me falha, o livro não existiria.

Esqueci de te dizer, logo que eu comecei a levar a sério o Projeto, busquei a PETROBRÁS para patrociná-lo,  mas as coisas lá  já não estavam assim tão boas, e  eu continuei escrevendo, sem saber, quem iria pagar a conta. Um dia, o Sérgio Castro me telefonou e me perguntou como andava o livro. Estava acabado, e buscava um patrocínio. Ele de pronto, sem fazer nenhuma exigência, fechou comigo na hora, e assim, “FILA BRASILEIRO, UM PRESENTE DAS ESTRELAS”  veio a público, depois de 17 anos de muito trabalho, de textos julgados definitivos, devido a novas informações ou documentos, serem totalmente reescritos. Ah! Ias me esquecendo.  Quando eu acabei o capítulo O Padrão CBKC/FCI Comentado por PRG, telefonei para os meus amigos Paulo e Haydée Azevedo e lhes pedi para lerem  e me darem suas opiniões. Paulo e Haydée eram meus amigos há mais de 40 anos, e eu fui ao apartamento deles no Parque das Rosas (Barra da Tijuca) e fiquei lá uma tarde inteira, em que o Paulo, na época Presidente do Conselho de Árbitros da CBKC, se  animou a montar comigo um trabalho de reavaliação do Padrão CBKC, sob novos olhares. O Sérgio Castro concordara com a idéia e o Paulo, criou a Comissão do Fila Brasileiro, que teve  ele, eu, o Pedro Dantas, o Victor Hugo, a Leyla Rebello, e acho que só. Com a morte do Paulo Azevedo em 2011, o Sérgio Castro não falou mais no assunto.

Como você vê, Chico, esse livro mexeu com a cabeça de muita gente, e hoje, eu já imagino procurar a direção da Petrobrás para uma segunda edição, aumentada e revisada.  Um livro sobre o cão, que é a cara do Brasil… que nós todos  sonhamos um dia aconteça.

Eu acho que já te devia essas linhas.

Abraços, Paulo Godinho

Fechaspas

Abraços, Chico Peltier.

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