Post nº 227 – Tio Chico Informa nº 79 – Acadêmico e estudioso em Mauricio de Nassau nega existência de cães holandeses no Brasil… – Enviado em 15/11/14

Tio Chico Informa nº 79

Acadêmico e estudioso em Mauricio de Nassau

nega existência de cães holandeses no Brasil

Meus amigos e amigas,

1. No último dia 24/10/14 Ancelmo Gois, excelente colunista do jornal O Globo, publicou a seguinte nota em sua coluna:

O Glogo - 20 a 25-10-14

 2. Sendo assim o Tio Chico, estudioso e sempre interessado em aprender sobre a Verdadeira História da Raça Fila Brasileiro, infelizmente ao contrário da maioria dos fileiros que não gostam nem de ler nem de estudar, conversou por telefone com meu amigo Arnaldo Niskier, escritor, educador e desde 1.984 membro da Academia Brasileira de Letras.

Pedi então a ele que conversasse com o historiador e Acadêmico, Evaldo Cabral de Mello, por tratar-se de um estudioso sobre a presença holandesa no Nordeste brasileiro na época de Mauricio de Nassau, no sentido de que me informasse se tinha conhecimento de que este colonizador teria trazido para o Brasil cães holandeses naquele período.

Arnaldo me disse que isto não seria problema, já que em 30/10/14 haveria mais uma eleição para a escolha de um novo membro da Academia Brasileira de Letras, na qual acabou sendo eleito nosso querido Zuenir Ventura. Arnaldo me pediu que lhe enviasse um email explicando minha pergunta.

3. Segue abaixo email encaminhado para Arnaldo Niskier:

De: Chico Peltier Enviada em: domingo, 26 de outubro de 2014 16:20

Para: Arnaldo Niskier

Assunto: Dr. Evaldo Cabral de Mello e Cão de Fila Brasileiro

Meu querido amigo Arnaldo,

Conforme conversamos no último sábado por telefone:

1. Há 40 anos tenho um hobby: Cão de Fila Brasileiro, única raça canina reconhecida internacionalmente;

2. No início da década de 70 esta raça foi infelizmente miscigenada com cães das Raças, principalmente Mastiff Inglês, Mastin Napolitano e Dinamarquês;

3. Eu fui o primeiro a reagir e denunciar este crime (ecológico) e em 1.978 fundamos o CAFIB (Clube de Aprimoramento do Fila Brasileiro) que se encontra ativo até hoje e com dezenas de Representações no Brasil e 3 clubes no exterior (dois no USA e um na Espanha). Este clube independente foi o único responsável por resgatar da extinção e preservar o chamado FILA PURO, tal qual foi encontrado no Sul do Estado de Minas Gerais há mais de cem anos atrás;

4. Apesar de ser um Patrimônio Nacional, o brasileiro não se preocupam com o nosso Cão de Fila. Preferem se preocupar com o Mico-Leão-dourado, as tartarugas no Nordeste, o Jacaré-de-papo-amarelo no Pantanal, as baleias no Ártico e até com o Urso Panda lá longe na China…que são mais “fashions” e dão mídia… Fila é coisa de “cachorreiro”…;

5. Todos os responsáveis pela miscigenação do Fila com estas três raças acima mencionadas, inventaram suas “teses” tentando justificar o injustificável: a modificação sofrida no fenótipo e no temperamento em boa parte do plantel do Fila registrado no BKC-CBKC-FCI. Por isto o CAFIB passou a selecionar e registra o seu próprio plantel de Filas Puros há 36 anos atrás com muito sucesso;

6. Procópio do Vale,  responsável pela miscigenação do Fila Brasileiro com Dinamarquês,  inventou uma tese de que o Fila teria sua origem num cão europeu chamado de Dogue de Force Rare. Esta raça teria sido trazida para o Brasil por Mauricio de Nassau. Ele alegava que tinha descoberto isto em uma correspondência holandesa datada daquela época que afirmaria “300 cães serão mandados para lá”. Mas ele nunca mostrou este documento e já faleceu. Também nunca informou que tipo de cão seria este, para onde teria sido enviado e se de fato o foram. Já que esta frágil frase encontra-se no tempo Futuro do Presente (simples);

7. Esta semana, lendo a coluna do Ancelmo Gois no Globo, tive a grata informação de que o historiador e Acadêmico Evaldo Cabral de Mello é um grande especialista na presença holandesa no Nordeste brasileiro;

8. Sendo assim, será que o Dr. Evaldo poderia me confirmar ou não se estes cães foram realmente trazidos para o Brasil por Mauricio de Nassau? E, caso positivo, me dar detalhes destes cães, logística de travessia do oceano Atlântico, quantidade de cães e qquer outras informação interessante?

9. Eu, pessoalmente, não acredito na exequibilidade da frase que “300 cães serão mandados para lá”, se é que ela existe e foi mesmo escrita. Afinal, nos idos de 1.640 como transportar em caravelas 300 cães? E mais: para onde, pois nem o Brasil nem o Nordeste brasileiro foram mencionados. Outro ponto a frase encontra-se no tempo Futuro do Presente (simples)…;

Pois bem, Arnaldo, agradeceria muito se o Dr. Evaldo pudesse me dar algum subsídio sobre este assunto. Curiosamente, no início da década de 80, quem me deu muitos subsídios sobre os cães indígenas brasileiros, principalmente o Arambaré que acompanhava os índios Tapuias pelo litoral da hoje Região Sudeste, foi outro Mestre, o Clarival do Prado Valladares, amigo dos meus pais. Quem sabe agora, depois de tantos anos, outro historiador, Dr. Evaldo, não poderia me dar importantes informações negando a existência destes cães nos tempos de Nassau?

Arnaldo, mais uma vez agradeço sua ajuda e, por favor, antecipadamente agradeça ao Dr. Evaldo. Sinto importunar uma pessoa como ele, mas penso que o Cão de Fila Brasileiro merece.

Forte e carinhoso abraço, Chico Peltier.

3. Resposta do Acadêmico Arnaldo Niskier:

De: Arnaldo Niskier Enviada em: terça-feira, 4 de novembro de 2014 10:06

Para: Chico Peltier

Assunto: Re: Dr. Evaldo Cabral de Mello e Cão de Fila Brasileiro

Prezado Chico Peltier:

Sim, ele me respondeu.  Disse que nunca ouviu falar de cães holandeses.

O que ele sabe é que o Maurício de Nassau, quando voltou para a Holanda, levou com ele alguns Cavalos brasileiros.

O abraço amigo do Arnaldo.

4. Conclusão:

Sendo assim, apresento mais uma prova irrefutável de que a teoria inventada por Procópio do Valle, também conhecido como O Pai do “fila-preto”, que pretendeu justificar a existência do “fila-preto” e o cão Dogue de Force Rare  como sendo ancestral do Fila (vide em http://www.filabrasileirochicopeltier.com.br/fila-brasileiro-3.html ) trata-se de pura falácia. Da mesma forma que foi outra falácia, a invenção da palavra “pardalusca” por ex-lider do Fila-CBKC, tentando justificar a existência do assim chamado “fila-preto” (vide no item 4.20 e muitos outros em http://filabrasileirochicopeltierblog.com/2012/11/10/post-no-51-consolidacao-das-respostas-as-tolices-e-mentiras-dos-nams-melhores-e-piores-de-2-011-data-9-12-1/  ) . Ora, meus amigos: o “fila-preto” trata-se de puro comércio…!!! Já que, como todos nós sabemos, a cor preta é a cor mais vendável em todo o mundo e encontra-se a venda em praticamente todos os produtos.

Ou seja, um estudioso de renome internacional, que há décadas estuda a passagem e estadia de Mauricio de Nassau no Brasil nos anos de 16371644 , afirma categoricamente que jamais viu uma simples referencia sobre “…cães holandeses.” no Brasil.

Uma pena que pessoas como Procópio do Vale (vide http://www.filabrasileirochicopeltier.com.br/fotos/1816.jpg ) e Joao Batista Gomes (este, inventor da tese do Fila Terceirence que preconizava a miscigenação do Fila com cães da Raça Mastiff Inglês. Vide em http://www.filabrasileirochicopeltier.com.br/fotos/1843.jpg e ainda em http://www.filabrasileirochicopeltier.com.br/9-Documentos-ate-1979/9-24.jpg ), que tanto mal fizeram à Raça Fila, enquanto precursores da mestiçagem perpetrada contra o Fila Brasileiro em nosso pais, ainda sejam referenciados por fileiros que se recusam a ler e estudar. E que, sendo assim, gostam mais dos “filas-mestiços” com pedigree do BKC-CBKC-FCI que encontram-se em seus canis do que da Raça Fila. 

Pois eu acho isto um enorme DESRESPEITO para com a Raça Fila. Se é que voces me entendem…

Mas eu poço explicar melhor: tem um “criador” europeu que vive se lamentando e escrevendo em Facebooks que foi por mim DESRESPEITADO. Pois eu penso que desrespeito para com a Raça Fila é criar mestiços como se Filas Puros fossem !!!

Note: as I have always done with all emails sent in the past, this was also sent primarily to those responsible for FCI (located in Belgium) + CBKC; and also to FCI (located in Spain)

Nota: como sempre fiz com todos os emails que enviei no passado, este também foi encaminhado primeiramente para os responsáveis pela FCI (da Bélgica) + CBKC; e para a FCI (da Espanha).

Abraços, Chico Peltier.

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